Como No Princípio

Série “A Cruz”

 

Mateus 27:27-31 TB

“Depois, os soldados do governador, conduzindo Jesus ao Pretório, reuniram em torno dele toda a coorte. Despindo-o, vestiram-lhe um manto carmesim. Em seguida, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e uma cana na mão direita; e, ajoelhando-se diante dele, escarneciam-no, dizendo: Salve, rei dos judeus! E, cuspindo nele, tomaram a cana e davam-lhe com ela na cabeça. Depois de o terem escarnecido, tiraram-lhe o manto, vestiram-lhe as vestes e levaram-no para ser crucificado.”

 

Introdução

A cena descrita nessa passagem bíblica do Evangelho segundo Mateus, descreve um teatro de humilhação a Jesus, encenado por soldados completamente endemoniados e enlouquecidos.

Como muitos reconheciam a Jesus como o Messias enviado de Deus, e que este Messias esperado nas escrituras seria o “filho de Davi”, e portanto o Rei dos Judeus por direito e vocação, então os soldados designados para flagelar e por fim crucificar a Jesus, fizeram essa coroação maldita, com a intenção de zombar dEle.

Mas não havia nada acontecendo por acaso ali, aquela zombaria cumpria também um propósito eterno, havia em tudo aquilo um significado, que aqueles soldados jamais imaginariam. Como No Princípio, algo acontecia de novo. Como no Sacrifício Eterno, algo acontecerá de novo hoje aqui!

 

Desde a Fundação do Mundo (Ap 13:8)

A Palavra de Deus diz em Ap 13:8 “Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo.”

O que significa isso? Esse texto retrata o fato de que Jesus morreu pela humanidade caída em um Momento Eterno, não somente no episódio físico da Cruz há cerca de dois mil anos, mas em um momento em que a Triunidade estava reunida, decidindo sobre suas próximas criações, e naquele Momento Eterno, o Pai proclamou: “Façamos o homem…”  Mas essa frase tinha implicações catastróficas, porque iria desencadear todo o processo de livre-arbítrio e consequente queda do homem, e portanto ao visualizarem tudo o que iria acontecer, uma decisão precisaria ser tomada. Ou desistiriam do projeto, ou providenciariam a redenção.

Então, nesse Momento Eterno, o Deus Verbo se levantou do seu Trono de Glória, caminhou provavelmente até um anjo que assistia aquele momento completamente mudo, quem sabe se não era o próprio Gabriel, e começou a se despir do seu Manto de Glória, da sua Coroa de Poder e entregou o seu Cetro de Autoridade diante das hostes celestiais. Naquele Momento Eterno, em meio ao desespero e incompreensão de todos que assistiam àquela cena paradoxal, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, já não estava glorioso como sempre fora, despido de sua Glória, da sua Honra e Majestade, Ele caminha até um madeiro, rude e escuro e naquele Momento em que se decidia sobre a criação de um ser que ainda inexistia, Ele se entrega para morrer por aqueles que haveriam de vir, mas que Ele já amava como fazendo parte de si mesmo.

Milênios depois, quando o nosso Amado finalmente decide que é hora de sair do Eterno Momento e voar na nossa gaiola do tempo, Ele se esvazia completamente do que fora um dia, mergulha como uma semente do Pai no ventre de uma virgem, nasce e cresce como homem, exerce o seu ministério, até que ao final dele, o nosso Amado Salvador vivencia uma cena que lhe trouxe recordação da sua decisão eterna.

Ali, diante de homens, anjos e demônios, Ele vê novamente uma coroa, um manto e um cetro, mas não eram como os ítens que Ele deixara no Céu, quando se despiu da sua Glória, mas era uma maldita coroa de espinhos no lugar da sua Coroa de Poder, um manto sujo e rasgado no lugar do seu Manto de Glória, e um pedaço de cana no lugar do seu Cetro de Autoridade. Parecia uma cena distorcida do que Ele vivera um dia.

 

A Coroa, O Manto e O Cetro

A tentativa de satanás era de tripudiar do nosso Senhor, de zombar dEle, como que dizendo, que Ele não tinha mais o Poder que a sua Coroa de Poder representava, que Ele não tinha mais a cobertura da unção que se via em seu Manto de Glória e nem possuía mais a Autoridade que o Cetro que Ele deixou no Céu indicava.

Mas o que satanás não esperava é que por meio dessa zombaria que planejou, maldições estivessem sendo quebradas, preços estavam sendo pagos. Aquela coroa maldita sobre Ele rompia a maldição dos espinhos que nasceram no nosso primeiro Jardim, quando ficamos pobres por causa do pecado. Os espinhos que brotaram no Éden amaldiçoando a nossa terra, a nossa prosperidade, agora estavam sobre Cristo, e esse Sangue que caía sobre a terra rompia a maldição sobre as nossas vidas e podemos prosperar em Cristo.

Aquele manto rasgado e fétido demonstrava que o nosso Amado estava só naquele momento, sem a cobertura do Pai, sem a unção que sempre estivera sobre Ele, mas enquanto isso acontecia, era como se o Manto de Justiça que Ele deixou no Céu fosse estendido sobre todos aqueles que um dia o receberiam e o reconheceriam como Senhor e Salvador, lhes dando cobertura, respaldo e a unção que despedaça todo jugo do inimigo.

Quando lhe entregaram aquele pedaço de madeira, o inferno zombava de Cristo porque achavam que Ele tinha perdido toda sua autoridade, que o Cetro que deixara representava. Criam que Ele estava dominado pelo mal, sob custódia do inferno, mas eles não contavam que aquilo fazia parte do Plano Eterno do nosso Pai. Cristo recebeu aquele caniço para que o seu Cetro fosse entregue não ao inferno, mas para aqueles que nEle cressem.

A zombaria se tornou em rompimento de cadeias, e é por isso que o Senhor nos trouxe aqui hoje, porque toda a zombaria de satanás contra nós, hoje se tornará em maldições quebradas, como seus filhos, Ele põe sobre nós a sua Coroa deixando à nossa disposição o seu Poder, estende sobre nós o seu Manto nos dando cobertura e unção, e a autoridade sobre as circunstâncias está em nossas mãos como Cetro de Autoridade que nos foi concedido.

 

Esvaziou-se e Foi Exaltado (Fp 2:5-11)

Um dia, em um Momento Eterno, o nosso Amado se esvaziou e se humilhou por amor de nós, realizou a Obra que ninguém poderia realizar, pagou o preço que ninguém poderia pagar por amor daqueles que jamais poderiam merecer. Como resultado, o Pai tanto se alegrou dEle, que o exaltou, e lhe deu o nome que está sobre todo nome, para que ao Nome de Jesus se prostrem todos os que estão nos Céus, na Terra e embaixo da Terra, e toda língua confesse, que Jesus Cristo é o Senhor para a Glória de Deus Pai.

Em Romanos 6, a Palavra nos ensina que temos que nos identificar com Cristo na semelhança da sua morte, e então nos identificaremos com Ele na semelhança da sua ressurreição. Por isso não devemos nos espantar com a zombaria do inimigo que temos sofrido, quando tudo parece ser o contrário do que o Senhor nos prometeu, porque primeiro aconteceu assim com o nosso Senhor, mas depois de três dias, Ele já não carregava uma coroa de espinhos, nem um manto rasgado, nem muito menos um pedaço de pau velho e sem valor, pelo contrário, era exaltado e recebia o Nome ao qual todos precisariam se curvar.

Todos os que nEle se identificarem com a Cruz, também nEle se levantarão, não para nossa honra, mas para sua honra e sua Glória e tudo o que recebermos dEle, a Ele mesmo dedicaremos. Como No Princípio, a Obra da Cruz continua agindo sobre todos os que nela creem, e se você crer verá a Glória de Deus, hoje aqui.

Pr. Jasinho

 

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